| Zeca
Cadeira |
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| Eneida,
presidente: “Filial brasileira
se transformou na segunda maior operação
da empresa fora dos EUA” |
O
apetite da Herbalife
Ela montou
uma rede de 120 mil distribuidores para vender
seus shakes
pelo País. Agora, prepara seu maior
salto: a produção local

Por Darcio
Oliveira
Na
Herbalife ninguém veste a camisa. Usa o
broche. Da presidente, Eneida Bini, ao vendedor
iniciante, nenhum representante da marca sai de
casa sem aqueles bótons brancos com os
dizeres: “quer emagrecer? pergunte-me como!”
ou “trabalhe em casa, pergunte-me como!”
ou ainda “eu amo Herbalife”. Todos
também consomem pelo menos um produto da
marca, sejam os shakes dietéticos, as barras
de cereal, os suplementos alimentares ou a linha
de xampus e condicionadores. E usam adesivos com
o logo da companhia em seus carros particulares.
Isso quando não dirigem os veículos
de frota, pretos, com a marca da empresa americana
em tintas brancas e com o tal slogan da dieta
grudado nos vidros. Enfim, a Herbalife é
quase uma religião. Experimente conversar
cinco minutos com um dos 120 mil distribuidores
da marca no Brasil e provavelmente você
encomendará pelo menos um item, nem que
seja só para provar. “É esse
poder de venda de nossos distribuidores que fizeram
a Herbalife do Brasil se tornar a terceira maior
operação da empresa, atrás
apenas dos EUA e do México”, festeja
Eneida, que deixou a vice-presidência global
da Avon para assumir, no ano passado, o comando
da Herbalife. A companhia, dona de um faturamento
de US$ 2,1 bilhões no mundo, não
divulga dados no Brasil. Mas estimativas de mercado
apontam para uma receita de R$ 370 milhões
anuais. “Em 2004 registramos um crescimento
de 54% no volume de negócios no Brasil”,
comemora Eneida. Foram 7 milhões de produtos
comercializados por aqui, um recorde. O próximo
passo da filial é a fabricação
local de seus produtos. “Devemos iniciar
a produção da linha shape works
(shakes, tabletes nutricionais, proteínas
em pó) em 2006”, avisa a executiva.
São dez anos de Herbalife no Brasil. De
1995 para cá, a empresa ganhou corpo suficiente
para brigar com as demais do setor de vendas diretas.
Com uma diferença: enquanto rivais como
Avon ou Natura adotam o sistema mononível
(vendedores independentes), a Herbalife é
uma das poucas representantes no Brasil do modelo
multinível, também conhecido como
marketing de rede. Um vendedor vai fazendo sua
“pirâmide” de vendedores e,
além de ganhar com suas próprias
negociações, recebe royalties das
operações nos níveis abaixo
dele. Para se tornar um “herbalife”
é preciso ser apresentado por outro, ficando
sob o guarda-chuva de quem o introduziu à
marca. A Herbalife é, no fundo, uma espécie
de holding com centenas de microempresas sob seu
comando. “Prefiro compará-la a uma
grande franquia”, diz Henrique Meinderg,
distribuidor da Herbalife. “Vendemos seus
produtos, adotando seus padrões e seus
métodos de treinamento. Os resultados são
impressionantes”.
| Zeca
Cadeira |
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| Além
da saúde: itens de beleza
também estão no catálogo
e são cada vez mais procurados pelas
clientes nas reuniões mensais da Herbalife (à dir.) |
No
caso de Meinderg não há mesmo do
que reclamar. Aos 35 anos, o garotão formado
em administração pela FGV e surfista
nas horas vagas, tem em sua rede 1000 vendedores,
que faturam mensalmente R$ 5 milhões. Levando-se
em conta royalties, bonificações
e demais prêmios, ele deve faturar uns R$
90 mil/mês. É claro que no time da
Herbalife há os que entram apenas para
complementar renda e aqueles que não têm
o menor tino para vendas e acabam desistindo.
“Existe, em muitos casos do sistema multinível,
a ilusão de enriquecimento rápido.
Mas poucos têm talento para multiplicar
a rede”, diz um rival da Herbalife.
O concorrente lembra ainda o caso Amway, empresa
que chegou a ter 400 mil vendores no Brasil, no
mesmo sistema de marketing de rede, e enfrentou
sérios problemas nos anos 90. “A
Amway sofreu com a desvalorização
do real, que inviabilizou a operação.
Era impossível repassar a alta do dólar
ao preço dos produtos e o jeito foi reduzir
as margens de lucro. Os vendores, então,
foram deixando a rede”, explica. Contribuiu,
ainda, a péssima imagem que o sistema de
“pirâmides” e as reuniões
motivacionais tinham na época. “Mas
eram outros tempos. A Herbalife é uma empresa
sólida no Brasil, a economia hoje é
estável e as pessoas têm mais conhecimento”,
diz Eneida. “A evolução anual
de nossa empresa é a maior prova disso”.
De fato, o exército de mascates da Herbalife
segue crescendo. Em 2002, ela contava com 50 mil
vendedores. No ano seguinte, 75 mil. Em 2004,
100 mil e a previsão para este ano é
ultrapassar os 120 mil “herbalifers”
no Brasil. “A meta da matriz é multiplicar
o número de distribuidores e dobrar as
vendas em cinco anos. Vamos acompanhá-la”,
promete Eneida.
Potencial existe. Se antes os suplementos alimentares
e os alimentos funcionais eram vistos com certo
desdém, hoje, graças à onda
do consumo saudável, eles viraram estrela
do cardápio doméstico. De acordo
com a Associação da Indústria
de Alimentos Dietéticos e para Fins Especiais,
35% dos lares brasileiros consomem algum produto
light ou funcional. No mundo, segundo a Euromonitor,
a indústria do bem-estar fatura US$ 200
bilhões ao ano – mais de 50% desse
montante vêm dos itens de nutrição
e controle de peso. Bons tempos para a Herbalife. 
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